Pour une éthique, une citrique et une clinique de l'inutile en psychopathologie phénoménologie
DOI:
https://doi.org/10.37067/rpfc.v15i2.1253Palavras-chave:
Schizophrénie, Discours narratif, Éthique, Critique, Clinique, InutileResumo
Este artigo propõe o desenvolvimento de uma ética, uma crítica e uma clínica do inútil no campo da Psicopatologia Fenomenológica, com ênfase na abordagem terapêutica da esquizofrenia. Parte-se da constatação paradoxal de que a principal estratégia terapêutica amplamente empregada, a verbalização narrativa da experiência, é estruturalmente sobreponível ao sintoma cardinal da esquizofrenia, a hiperreflexividade, compreendida como a tendência do sujeito de interrogar reflexivamente fenômenos que deveriam ser vividos de modo tácito e pré reflexivo. Examina-se, nesse contexto, as contribuições e limitações das escalas fenomenológicas EASE e EAWE, apontando que tais instrumentos pressupõem uma correlação entre experiência vivida e sua verbalização que nem sempre se verifica na clínica esquizofrênica. Introduz-se, em seguida, o conceito de self territorial como dimensão intermediária entre o self mínimo e o self narrativo, argumentando que é precisamente esse nível, o do vivido espontâneo, corporificado e relacional, que se encontra perturbado na esquizofrenia e permanece subrepresentado nas abordagens terapêuticas convencionais. A partir dessa análise, defende-se que uma clínica do inútil, constituída por práticas informais e aparentemente destituídas de finalidade terapêutica explícita, como mediações artísticas, interação com animais, o humor e o simples caminhar, pode configurar um engajamento ético mais profundo com o paciente esquizofrênico. Sustenta-se que experimentar o inútil é, paradoxalmente, o que há de mais difícil e de mais necessário na clínica contemporânea. Conclui-se com a proposição de uma walking cure como complemento à talking cure freudiana, afirmando o valor terapêutico da espontaneidade, do passeio e do direito de se perder como condições de possibilidade para o reencontro do sujeito esquizofrênico com a experiência pré-reflexiva da existência.
Downloads
Referências
Baias R, Messas G. Contextualising mental health: interdisciplinary contributions to a new model for tackling social differences and inequalities in mental healthcare. Philosophical Psychology. 2024:1-21.
De Haan S, de Bruin L. Reconstructing the minimal self, or how to make sense of agency and ownership. Phenomenology and the Cognitive Sciences. 2010;9(3):373-96.
Delcourt F. Où vont les échelles phénoménologiques? Introduction théorique, réflexions épistémologiques et ouverture fictionaliste. L'information psychiatrique. 2024;100(8):625-630.
Deleuze G, Guattari F. L’Anti-Œdipe. Les Éditions de Minuit. 1972.
Deleuze G, Guattari F. Mille plateaux. Les Éditions de Minuit. 1980.
Englebert J. Psychopathologie de l’homme en désituation. Bulletin d’analyse phénoménologique. 2020;16(2):194-209.
Englebert J. The “Territorial Self:” Theoretical Propositions for a Phenomenological Understanding of Schizophrenia. L'Évolution Psychiatrique. 2022;87(2):e1-e9.
Englebert J, Cermolacce M. Les paradoxes de l’indicible dans EASE. Le Cercle herméneutique. 2024;42-43:109-125
Englebert J, Monville F, Valentiny C, Mossay F, Pienkos E, Sass L. Anomalous experience of self and world: Administration of EASE and EAWE scales to four subjects with schizophrenia. Psychopathology. 2019;52(5):294-303.
Englebert J, Stanghellini G, Valentiny C, Follet V, Fuchs T, Sass L. Hyper-réflexivité et perspective en première personne: un apport décisif de la psychopathologie phénoménologique contemporaine à la compréhension de la schizophrénie. L'Evolution Psychiatrique. 2018;83(1):77-85.
Englebert J, Valentiny C. Schizophrénie, conscience de soi, intersubjectivité. De Boeck. 2017.
Gallagher S. Philosophical Conceptions of the Self: Implications for Cognitive Science. Trends in Cognitive Sciences. 2000;4(1):14-21.
Gallagher S, Zahavi D. The Phenomenological Mind. Routledge. 2012.
Heidegger M. Zollikoner Seminare. Vittorio Klostermann. 1963.
Martin LA, Koch SC, Hirjak D, Fuchs T. Overcoming disembodiment: The effect of movement therapy on negative symptoms in schizophrenia – A multicenter randomized controlled trial. Frontiers in psychology. 2016;7:483.
Nordgaard J, Parnas J. A semi structured, phenomenologically-oriented psychiatric interview: descriptive congruence in assessing anomalous subjective experience and mental status. Clin Neuropsychiatry. 2012;9(3):123-8.
Nordgaard J, Revsbech R, Sæbye D, Parnas J. Assessing the diagnostic validity of a structured psychiatric interview in a first-admission hospital sample. World Psychiatry. 2012;11(3):181-5.
Oury J. Hiérarchie et sous-jacence. Séminaire Saint-Anne 1991-1992. Collection Boîte à Outils. 2014.
Parnas J, Henriksen M.G. Mysticism and schizophrenia: A phenomenological exploration of the structure of consciousness in the schizophrenia spectrum disorders. Consciousness and Cognition. 2016;43:75-88.
Parnas J, Møller P, Kircher T, Thalbitzer J, Jansson L, Handest P, Zahavi D. EASE: examination of anomalous self-experience. Psychopathology. 2005;38(5):236-258.
Parnas J, Urfer-Parnas A, Stephensen H. Double bookkeeping and schizophrenia spectrum: divided unified phenomenal consciousness, European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience. 2021;271:1513-1523.
Pienkos E. The unmooring of the world: A qualitative investigation of anomalous world experiences in schizophrenia [Doctoral dissertation]. The graduate school of applied and professional psychology. Rutgers University. 2014.
Pienkos E, Englebert J, Feyaerts J, Ritunnano R, Sass L. Situating phenomenological psychopathology: subjective experience within the world. Frontiers in Psychology. 2023;14:1204174.
Pienkos E, Messas, G. Preface to the EAWE Portuguese version: A case for a new era of phenomenological psychopathology in psychiatry and clinical psychology. Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea. 2018;7(2):1-9.
Pienkos E, Sass L. Schizophrenia, language, and the phenomenological interview. Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea. 2018;7(2):10-28.
Pienkos E, Sass L, Silverstein S. The phenomenology of anomalous world experience in schizophrenia: A qualitative study. Journal of Phenomenological Psychology. 2017;47(2):188-213.
Proust M. Le Côté de Guermantes I. In A la recherche du temps perdu. Gallimard. 1944.
Ricœur P. Temps et récit : Le temps raconté, t. III. Seuil. 1985.
Sartre, J.-P. L’être et le néant. Gallimard. 1943.
Sass, L. Self-disturbance and schizophrenia: structure, specificity, pathogenesis (current issues, new directions). Schizophrenia research. 2014;152(1):5-11.
Sass L. Delusions and double bookkeeping. In Stanghellini G, Fuchs T (eds.), One Century of Karl Jaspers’ General Psychopathology. Oxford University Press. 2014:125-147.
Sass L, Feyaerts J. Schizophrenia, the very idea: On self-disorder, hyperreflexivity, and the diagnostic concept. Schizophrenia Research. 2024;267:473-486.
Sass LA, Pienkos E, Skodlar B, Stanghellini G, Fuchs T, Parnas J, Jones N. EAWE: Examination of Anomalous World Experience. Psychopathology. 2017;50:10-54.
Schumacher EF, Small is Beautiful, Blond & Briggs. 1973.
Servais V. Mettre des animaux dans le bureau du clinicien. In Englebert J, Follet V (eds.), Adaptation : Essai collectif à partir des paradigmes éthologique et évolutionniste. MJWFédition. 2016:129-152.
Sheets-Johnstone M. From movement to dance. Phenomenology and the Cognitive Sciences. 2012;11(1):39-57.
Stanghellini G. Disembodied spirits and deanimated bodies: The psychopathology of common sense. Oxford University Press. 2004.
Xia J, Grant TJ. Dance therapy for people with schizophrenia. Schizophrenia bulletin. 2009;35(4):675.
Downloads
Publicado
Versões
- 2026-08-08 (2)
- 2026-08-08 (1)
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Equipe Editorial; Jérome Englebert

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os autores detém os direitos autorais sem restrições, devendo informar a publicação inicial nesta revista, em caso de nova publicação de algum trabalho.






