Towards a synthesis of Psychiatry and semiotics

Norbert Andersch

Norbert Andersch

Towards a synthesis of Psychiatry and semiotics

Recent biosemiotic research highlights the fact that “human individuation is (…) a double-tracked process, consisting in an incessant reconciliation or negotiation between the virtual reality that we have constructed in our minds and mind-independent reality as it impresses itself upon our lives. Human life cannot therefore be defined by its uniqueness as a particular genetic combination, but must instead be defined by its uniqueness as a temporal outcome of semiotic individuation” (Hoffmeyer, 2015b). Semiotic individuation was at the core of Ernst Cassirer’s “Philosophy of Symbolic Forms” (1923/25/29). His unique approach to view ‘symbolic formations’ like magic, myth, religion, law, science, the arts and others as universal ‘mediators’ within the variable and developing levels of human worldmaking (which define the make-up of language and consciousness) was to philosophically anticipate the very idea which biosemiotic research is confirming today. A synthesis of psycho/biosemiotics and Cassirer’s symbol-theories can open up an entirely different approach to human interaction and consciousness, thus setting a different compass point for our theoretical attitude to psychopathology. This may help in opening up those hidden fundaments and secretly determining factors within the puzzling and contradictory phenomenology of psychiatric symptoms.

Keywords: Psychiatry; Biosemiotics; Psychosemiotics; Psychopathology; Symbol

Para uma síntese entre Psiquiatria e semiótica

A pesquisa recente em biossemiótica realça o facto de que “a individuação humana é (…) um processo que assenta em duas trajetórias, consistindo numa incessante reconciliação ou negociação entre a realidade virtual que nós construímos nas nossas mentes e a realidade independente da mente à medida que se inscreve nas nossas existências. A vida humana não pode, por conseguinte, ser definida pela sua unicidade como uma combinação genética particular, mas deve, em vez disso, ser definida pela sua unicidade enquanto produto temporal da individuação semiótica” (Hoffmeyer, 2015b). A individuação semiótica encontrava-se no âmago da “Filosofia das Formas Simbólicas” de Ernst Cassirer (1923/25/29). A sua abordagem única para compreender ‘formações simbólicas’ como a magia, o mito, a religião, o direito, a ciência, as artes e outras enquanto ‘mediadores’ universais no interior dos níveis variáveis e em contínuo desenvolvimento da atividade humana de construção de mundos (que definem a tessitura da linguagem e da consciência) estava em condições de antecipar filosoficamente a ideia mesma que a investigação em biossemiótica hoje confirma. Uma síntese entre psico/biossemiótica e as teorias do símbolo de Cassirer pode inaugurar uma abordagem inteiramente diferente à interação humana e à consciência, fornecendo deste modo uma orientação distinta para a nossa atitude teórica relativamente à psicopatologia. Isto pode ajudar a revelar os fundamentos e fatores secretamente determinantes no interior da intrigante e contraditória fenomenologia dos sintomas psiquiátricos.

Palavras-chave: Psiquiatria; Biosemiótica; Psicosemiótica; Psicopatologia; Símbolo

Fonte: Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea, 2017;6(2):93-111.

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