Sobre o aspecto temporal da vida em Minkowski: revisitando O Tempo Vivido

Danilo Salles Faizibaioff e Andrés Eduardo Aguirre Antúnez

Danilo Salles Faizibaioff e Andrés Eduardo Aguirre Antúnez

Sobre o aspecto temporal da vida em Minkowski: revisitando O Tempo Vivido

O psicopatólogo de origem polonesa Eugène Minkowski (1885-1972) escreveu O Tempo vividoem uma época na qual o acelerado processo de industrialização e globalização passava a prejudicar a vivência subjetiva do tempo na vida humana moderna. Em 1933, publicou, em dois livros, este estudo fenomenológico e psicopatológico, sete anos após haver defendido sua tese da perda do contato vital com a realidade como essência da afecção esquizofrênica. Neste artigo, empreendemos um resumo do primeiro livro desta obra, denominadoEnsaio sobre o aspecto temporal da vida, ainda não totalmente traduzido para o português. Utilizamo-nos de diversas citações literais do autor, visando penetrar em sua semântica pessoal e, como ele, valorizando os gestos e linguagem peculiares a cada um de nossos semelhantes na apreciação do viver humano. Capítulo por capítulo, contemplamos as facetas que descreveu sobre o Tempo enquanto fenômeno vital essencial: o devir, os caracteres essenciais do ímpeto pessoal, o contato vital com a realidade, o futuro, a morte e o passado. Tal estudo tem se mostrado útil para a consideração fenomenológica do tempo na prática do Acompanhamento Terapêutico (AT), de forma que expusemos algumas vinhetas e situações clínicas pontuais de experiências próprias vividas neste enquadre, visando ilustrar as ideias de Minkowski e demonstrar sua fecundidade para a clínica e a psicopatologia contemporâneas.

Palavras-chave: Tempo vivido, fenomenologia, psicopatologia fenômeno- estrutural, acompanhamento terapêutico.

Fonte: Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea, 2014, 3 (1), 48-115.

[PDF]