Sentiment d’ennui, besoin d’évènement et addictions

Georges Charbonneau

Georges Charbonneau

Sentiment d’ennui, besoin d’évènement et addictions

Dans une perspective anthropo-phénoménologique, l’addiction peut être éclairée de deux façons différentes. Le premier éclairage va définir sa dynamique interne, selon le schéma phénomène primaire/phénomène secondaire. C’est une des données de la psychopathologie phénoménologique, depuis Kurt Schneider, que de concevoir les manifestations pathologiques comme des tentatives de normalisation, de réparation, de compensation de phénomènes primaires. Il y a addiction en réponse à des transformations de la présence et le travail phénoménologique s’efforce de les décrire et les définir. Il y a donc une relation préalable aux choses, aux événements, à l’action, qui appelle la réponse addictive. Cet état (forme de la présence) est appelée disposition pré-addictive. On y discerne une constellation de signes infra- cliniques et cliniques : une intempérance, une relation particulière à l’ennui, une certaine tension d’impatience, une réactivité particulière, un besoin d’action- événement et des difficultés de conduite de l’action réalisant une précipitation addictive.

Le second éclairage est une analyse des vécus dans les expériences d’ivresses addictives, que ce soient celles de la prise d’alcool ou de toxiques pharmacologiques, ou celles de comportements pathologiques du registre addictif. La recherche silencieuse de ces états est au cœur de la dynamique addictive. Décrire les états atteints se fera en choisissant une addiction majeure, paradigmatique, l’addiction héroïnomaniaque. Nous utiliserons le propre vocabulaire des consommateurs pour tenter de caractériser ces formes de la présence du flash toxicomaniaque.

Mots clés: addiction; phénomènes primaires/secondaires; ivresse; héroïnomanie.

Em uma perspectiva antropofenomenologica, a adicção pode ser esclarecida de duas maneiras distintas. A primeira definirá sua dinâmica interna, segundo o esquema fenômeno primário/fenômeno secundário. É uma das características da psicopatologia fenomenológica, desde Kurt Schneider, a concepção das manifestações psicopatológicas como uma tentativa de normalização, de reparação, de compensação de fenômenos primários. A adicção surge como resposta às transformações da presença e o trabalho fenomenológico se esforça de descrevê-las e defini-las. Há portanto uma relação anterior às coisas, aos eventos, à ação, que convoca a resposta aditiva. Este estado (forma da presença) é denominado disposição pré-aditiva. Podemos discernir nela uma constelação de sinais infra-clínicos e clínicos: uma intemperança, uma relação particular como o tédio, uma certa tensão de impaciência, uma reatividade particular, uma necessidade da ação-evento, assim como dificuldades de condução da ação que produzem uma precipitação aditiva. A segunda maneira é uma analise dos vividos nas experiências de embriaguezes adictivas, sejam as obtidas com o álcool ou tóxicos farmacológicos, seja de comportamentos aditivos patológicos do registro aditivo. A busca silenciosa desses estados está no coração da dinâmica aditiva. A descrição dos estados atingidos se fará pela escolha de uma adicção maior, paradigmática, a adicção pela heroína. Utilizaremos o próprio vocabulário dos consumidores para tentar caracterizar essas formas de presença do flash toxicomaniaco.

Palavras-chaves: adicção; fenômenos primários/secundários; embriaguez adictiva; heroinomania.

Fonte: Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea, 2015, 4 (1), 15-38.

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