Sentido e limites do diagnóstico diferencial entre psicoses endógenas e exógenas

Guilherme Peres Messas

Guilherme Peres Messas

Sentido e limites do diagnóstico diferencial entre psicoses endógenas e exógenas

Examina-se neste artigo a pertinência do diagnóstico diferencial entre psicoses endógenas e exógenas na psicopatologia fenomenológica. Após identificar os pressupostos dualistas que sustentam historicamente a distinção, o autor apresenta em linhas gerais como uma ontologia monista entende o tema das relações de conexão entre fenômenos. Para que se decifre a relação de conexão na psicopatologia fenomenológica é necessária a substituição da noção de causa ou de motivo – referentes a um dualismo latente – pela de origem. A origem, por sua vez, é determinada pelo sentido da estrutura da consciência. Assim, endogeneidade e exogeneidade passam a só poder ser definidas a partir da interioridade desta estrutura. Uma psicose classifica-se como endógena quando houver i. desestruturação da articulação primordial da estrutura, ii. impedimento da restauração dessa articulação e iii. autonomização de zonas parciais da estrutura. Por outro lado, todo fenômeno psicótico não agudo cuja origem se der fora da região de articulação primordial da estrutura da consciência com o mundo será exógeno. Os limites e intersecções destes diagnósticos também são examinados.

Palavras-chave: Psicoses endógenas; Psicoses exógenas; Diagnóstico diferencial; Origem de psicoses.

Fonte: Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea, 2013, 2 (1), 2-15.

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