EDITORIAL – V.06 #01

As duas edições deste ano de Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea são dedicadas à apresentação ao grande público da força e amplitude do movimento de ciências humanas na saúde mental, no qual a fenomenologia representa um papel capital, em suas atividades de psicopatologia, psicologia e psiquiatria. O eixo central destas edições é a publicação das principais contribuições da 18ª Conferência Internacional em Filosofia, Psiquiatria e Psicologia – INPP 2016. Esta conferência, mundialmente reconhecida como o principal evento multidisciplinar das humanidades em saúde mental, foi realizada em São Paulo, de 3 a 5 de novembro de 2016, sob organização da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Sociedade Brasileira de Psicopatologia Fenômeno-Estrutural, com apoio da FAPESP, CAPES, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) do Ministério da Justiça, Scuola di Psicoterapia e Fenomenologia Clinica (Itália), Universidad Diego Portales (Chile), Universidade de Oxford, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Royal College of Psychiatrists (Reino Unido), European Psychiatric Association e World Psychiatric Association. O tema da conferência, “Psicopatologia do presente: teoria e prática”, invocou o entrelaçamento radical entre teoria e atividade prática, imprescindível na psicologia e psiquiatria. Toda ação prática deve radicar em uma filosofia do humano e toda reflexão psicopatológica deve trazer alguma consequência para as ações da clínica e as posições das políticas de saúde mental.

O evento congregou várias tendências de pensamento, revelando a diversidade de apreciação dos múltiplos temas de saúde mental e fornecendo insumos extremamente valiosos para o desenvolvimento deste campo do saber e da atividade humana. Os anais do INPP, com o programa completo do evento, podem ser acessados em https://proceedings.galoa.com.br/inpp. A participação brasileira e internacional é representada aqui por três artigos, versando sobre diferentes temas. Virgínia Moreira e Lucas Bloc refletem sobre uma fenomenologia clínica do corpo próprio. Gilberto Di Petta conduz-nos por uma imersão no mundo dos adictos à droga e John Cutting mostra de modo persuasivo como a psicose é um transtorno do reconhecimento de essências. Em dois artigos, um nacional e um internacional, prosseguimos com a publicação do fluxo regular de trabalhos submetidos à revista. Sebastián Mendl praticamente inaugura a psicopatologia fenomenológica dos adictos à internet e Ana Maria Feijoo, junto a Carolina Dhein, aprofundam a psicopatologia do transtorno obsessivo-compulsivo.

As edições deste ano de PFC, apresentando trabalhos em quatro línguas, demonstram a dimensão transnacional que a psicopatologia tem no cenário de saúde mental atual e a riqueza contida na aproximação entre pesquisadores de diversos países.

Guilherme Messas
Virgínia Moreira
Editores-chefe

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