EDITORIAL – V.02 #01

A pluralidade de perspectivas marca esta edição de Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea. A ênfase na pluralidade ambiciona apresentar a latitude dos interesses temáticos da fenomenologia e, mais importante ainda, a amplitude de seus modos de observação e possibilidades de diálogos. São três os eixos temáticos: o diagnóstico diferencial, a construção de tipos ideais e a investigação das experiências extremas da existência consciente. Essa diversidade, por sua vez, não deixa de apresentar um laço de unidade, que se dá justamente na procura pelos detalhes das condições de possibilidade de surgimento de um mundo consciente desdobrado nas relações históricas pessoais, inter-humanas e materiais. O estilo de investigação dessas condições de possibilidade ilumina diversos setores da existência consciente, caracterizando a riqueza da fenomenologia. Dois artigos centram sua observação na interpessoalidade, mostrando suas variedades de manifestação tanto na patologia quanto na tipicidade no uso de drogas. Todo olhar atento para a interpessoalidade é simultaneamente uma compreensão do outro eficaz para a construção de uma estratégia terapêutica. Dois artigos centram seu núcleo de interesse no valor da investigação longitudinal para a correta compreensão da patologia psicótica, abrindo frente para os diagnósticos diferenciais e as condutas a eles adequadas. Por fim, dois artigos abrem-se para investigar os sentidos totais das experiências vivenciadas, tanto patológicas – as psicoses endógenas e exógenas – quanto limites, como o suicídio. Múltiplos também são os diálogos a partir dos quais se adensam os trabalhos apresentados. As reflexões cotejam ora com a filosofia fenomenológica propriamente dita, como Sartre, Heidegger e Husserl, ora com a psicopatologia não fenomenológica, tanto clássica quanto contemporânea, sublinhando a imperecível relevância da reflexão fenomenológica para a ciência psicopatológica.

Por fim, vale anotar que, a partir desta edição, Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea passa a ter duas edições anuais. O intuito dessa divisão é permitir que a vazão de artigos recebidos e publicados não sobrecarregue o leitor interessado.

Guilherme Messas
O Editor