Discussing Rümke’s “Praecox Feeling” from the clinician’s experience of schizophrenic contact

Tudi Gozé e Jean Naudin

Tudi Gozé and Jean Naudin

Discussing Rümke’s “Praecox Feeling” from the clinician’s experience of schizophrenic contact

“Praecox Feeling” (“Praecox Gefühl”) was a notion introduced by the Dutch psychiatrist H.C. Rümke as an attempt to emphasize schizophrenic gestalt as a key feature for diagnosis. Our purpose is to decrypt Rümke’s work and to offer a critique based on a case study. From a phenomenological framework, we attempt to show the relevance and the limits of this concept in order to enlighten contemporary nosographic issues. Rümke suggested that symptoms themselves are not reliable for a rigorous diagnosis of schizophrenia. He proposed the term of Praecox Feeling to describe the bizarreness experimented by the clinician from the first minutes of the encounter with a person with schizophrenia. This notion refers to Karl Jaspers “radical incomprehensibility” of mental disorder. Our point is to take seriously this incomprehensibility to think a second person approach to diagnosis. To explore this track, we will focus our interest on the clinician subjective experience of schizophrenic encounter. In this regard, we will not think bizarreness as polarized on the patient’s side, but rather as an in-between event. Since then psychopathologic comprehension call for an epistemology of human contact and minimal-social space. Schizophrenic encounter needs then to be revisited in a more dynamic and embodied way.

Keywords: Schizophrenia spectrum; Praecox feeling; Phenomenology; Embodied Intersubjectivity

Discutindo o “sentimento precoce” de Rümke do ponto de vista da experiência do clinico no contato esquizofrênico

“Sentimento precoce” (“Praecox Gefühl”) foi um termo introduzido pelo psiquiatra holandês H.C. Rümke em uma tentativa de valorizar a forma (gestalt) esquizofrênica como característica fundamental para o diagnóstico. Nosso objetivo é decifrar o trabalho de Rümke e oferecer uma crítica com base em estudo de um caso. A partir de um referencial fenomenológico, tentamos mostrar a importância e os limites deste conceito, a fim de esclarecer questões nosográficas contemporâneas. Rümke sugeriu que os próprios sintomas não são confiáveis para um diagnóstico rigoroso de esquizofrenia. Ele propôs o termo “Sentimento precoce” para descrever a experiência de estranheza experimentada pelo clínico desde os primeiros minutos do encontro com uma pessoa com esquizofrenia. Esta noção refere-se à “incompreensibilidade radical” dos transtornos mentais, elaborada por Karl Jaspers. Nosso objetivo é levar a sério essa incompreensibilidade para pensar uma abordagem em segunda pessoa para o diagnóstico. Para explorar este caminho, focaremos nosso interesse na experiência subjetiva do clínico no encontro com o paciente esquizofrênico. A este respeito, não pensamos que a estranheza se apresente polarizada na experiência do paciente, mas como um evento intersubjetivo. Com isto, a compreensão psicopatológica exige uma epistemologia do contato humano e do espaço social mínimo. O contato com o paciente esquizofrênico precisa ser revisitado de modo mais dinâmico e levando-se em conta a corporeidade.

Palavras-chave: Espectro da esquizofrenia; Sentimento precoce; Fenomenologia; Intersubjetividade encarnada

Fonte: Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea, 2017;6(2):112-123.

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